Pitomba! x Resistência Cultural?

Há alguns dias o livreiro José Lôredo de Souza Filho, dono da Livraria Resistência Cultural Editora (na Av. Holandeses), publicou um texto, no qual explicava/esclarecia/criticava porque não venderia em sua loja a revista Pitomba! – editada pelos escritores Celso Borges, Bruno Azevêdo e Reuben da Cunha Rocha – que teve sua segunda edição lançada recentemente. O motivo: Os quadrinhos de Rafael Rosa Cuidado! Jesus vai voltar!, que satirizam a imagem renascentista de Jesus Cristo e o discurso evangélico, associando-lhes à práticas supostamente condenáveis.

Há dois posicionamentos críticos sobre o caso. Um deles foi escrito pelo jornalista Zema Ribeiro em seu blog e o outro na revista eletrônica Fantasia Exata, editada pelo jornalista e ensaísta Ronald Robson. Zema defendeu a Pitomba! e criticou o fato de Lôredo ter condenado toda a revista devido aos quadrinhos de Rafael Rosa. O texto de Ronald Robson deveria encerrar toda a conversa. Foi uma leitura justa (embora severa) de todo o caso por revisar tudo o que se disse e, principalmente, por associar – sem superficialidade – forma, ideologia fundadora e as ideias que a publicação busca fazer circular. Concordem ou não.

Li a Pitomba! nº 2 na madrugada de sexta. Foi uma boa leitura pelas poemas cheio de lembranças do Dyl Pires, pelo exercício de tradução do Reuben da Cunha Rocha, pela descoberta do poeta Tazio Zambi, pela vontade de movimento de Celso Borges e Bruno Azevêdo. E por tudo isso ter motivado Zema, Lôredo e Robson a escrever.

Agora – sinceramente – eu realmente não aceito nenhuma explicação para toda essa discussão – da série Cuidado! Jesus vai voltar! (porque ela é boba, apesar da tentativa de argumentação que não me provocou efeito algum, apenas uma sensação de vazio) à reação do cristão/conservador José Lôredo, no site da Resistência Cultural (que tem um catálogo incrível). Posso dizer que tenho lido todos os comentários, aprendido coisas interessantes e me defrontado com bobagens enormes nesse domingo moroso e tranquilo. O importante foi separar, nesse caso. Não me revoltei, não me consternei e nem melindrado fiquei. Pelo contrário.

Confesso que estou feliz de ver muitos dos meus amigos – novos, distantes e antigos – reunidos ao redor da mesma roda (virtual) de conversa. Nesse caso, todo o debate mobilizou – apesar das discordâncias e farrapos – um magote de gente que gosto de verdade. Agradeço a todos pelo amoroso domingo.

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6 thoughts on “Pitomba! x Resistência Cultural?

  1. André Lucap disse:

    esse trecho vem a calhar…

    “Para muitos, o 11 de setembro marcou a morte do pós-modernismo como corrente intelectual. Naquela manhã, tornou-se claro que a “hostilidade às grande narrativas”, como Jean-François Lyotard definiu, era uma busca minoritária, um cubo mágico intelectual para uma diminuta elite metropolitana. Parecia que a maior parte do mundo ainda tinha uso para Deus, Verdade e a Lei, termos que estavam usando sem aspas. Graydon Carter, editor da Vanity Fair, foi amplamente ridicularizado por declarar que os ataques sinalizavam “o fim da idade da ironia”, mas seu uso do palavrório pós-moderno provou ser presciente. Se a ironia não desapareceu (embora durante o literalismo e a falsa sinceridade dos anos da guerra Bush-Blair ela tenha parecido uma mercadoria valiosa), o pós-modernismo em si pareceu de repente cansado e surrado.”

    Postmodernism: from the cutting edge to the museum, do escritor inglês Hari Kunzru para o Guardian.

    o texto completo aqui http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2011/09/17/a-internet-tornou-o-pos-modernismo-obsoleto.htm

  2. garibaldoband disse:

    na verdade, o encerramento da questão é o teu post.

  3. Pobre leitor disse:

    Não temos cena cultural, isso não é uma discussão literária e os sujeitos envolvidos não são intelectuais ou coisa que valha. Me poupem.

    • André Lisboa disse:

      Normalmente, não costumo aprovar comentários sem assinatura. É uma prática mesquinha, idiota e infame. Ainda mais contendo uma mensagem tão pifia e irrelevante. Contudo, como é irrelevante, vou aprovar. Abraço, Nulidade.

  4. Pablo Habibe disse:

    Sou a favor de se levar a polemica adiante por razões puramente burocráticas…

    Estou curioso para ver se o dono da Resistência Cultural vai realmente levar o caso ao Bispo de São Luís!

    Será que no RH da igreja ainda existem pessoas responsáveis por casos assim? É quase tão improvável quanto encontrar um mecânico que entenda de carburador!

    Ser excomungado no século XX teria sido a glória,… agora, não passaria de uma curiosidade qualquer…

  5. [...] de se ler e que gerou uma certa polêmica que se alastrou pela blogosfera maranhense (aqui, aqui, aqui e aqui pra citar alguns). Achei divertido e fiquei muito triste por não ter durado muito (e nem [...]

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