Rodo pelas abas do browser,
rolo como o rato pelas notícias e os comentários
ou pelas dores em notas unidas por gerações escritas incompreensivelmente em um página compartilhada
e quando não mostram importância
quando não chamam a atenção de qualquer pensamento nem induzem a reflexão
e nem a tristeza – que tem dia – que nasce com o frio da chuva – reina
sobrando apenas uma porção de acusações irrefutáveis, contudo inúteis,
como as perguntas que tomam o tempo
em uma descrição intolerável no meio de um trabalho quase sem fim.
Poesia não combina com o jornalismo; talvez a crônica salve a profissão,
mas não salva o dia;
o que salva o dia é cantar;
sim, cantar uns versinhos bobos
quase desapercebidos;
são orações quase em silêncio
com a timidez dos errados;
adianta ainda batucar sobre o teclado com a caneta;
e ter como companheiras a dispersão e a desatenção;
salva o dia a desatenção de infrações e a incerteza dos vazios;
o erro das notas tocadas no violão e o embaraço com as letras das composições – na sessão vesperal exclusiva de Maria – levantam sorrisos;
o dia está na metade
o salário pode até salvar as contas do mês,
mas e o dia?
____________________
Galera, hoje tem lançamento do livro Guerrilhas, com artigos lúcidos e ferozes do professor Flávio Reis. No sebo Chico Discos (Centro), às 19h30 [horário de cão], vamos? [Mais no Zema]